domingo, 10 de maio de 2015

Samba


Calma, nada têm a temer, não vou começar uma crónica sobre samba para rivalizar internamente com a nossa crónica metaleira. Se por acaso o tema fosse samba ou algo remotamente relacionado com dança também nunca seria eu a pessoa indicada para falar disso.

Samba é um filme de Olivier Nakache e Eric Toledano, os realizadores de Amigos Improváveis (um dos filmes europeus de maior (e merecido) sucesso dos últimos anos) que nos trazem mais um drama/comédia com Omar Sy num dos principais papéis.

Representando o papel de imigrante ilegal senegalês, Omar Sy (Samba Cissé) mostra-nos as dificuldades que milhares e milhares na sua situação sofrem todos os dias em França: a dificuldade (acertada ou não) em arranjar um visto permanente de habitação em França leva à exploração de que são alvo os imigrantes, "obrigados" a trabalharem sem condições, sujeitos ao livre-arbítrio dos seus empregadores que devido à quantidade de mão de obra em condições semelhantes oferecem trabalhos e ordenados irrisórios e sem qualquer tipo de caracter de permanência e muitas das vezes apenas diários.

Samba, apanhado pelos SEF franceses sem visto apesar de viver há algum tempo em França em casa do tio que passou grande parte da sua vida lá trabalhando numa cozinha conceituada, fica à mercê do trabalho de uma ONG à qual pertence Charlotte Gainsbourg (uma das musas dos filmes de Lars Von Trier como por exemplo o famoso Ninfomaníaca (sem dúvida o pior trabalho dela com o Lars)) que tentam junto do tribunal designado para o caso um visto de permanência que não será concedido a Samba. Este, apesar de obrigado a sair de França, mantém-se por lá com mais cautelas que antigamente para não ser apanhado.

Samba cruza-se ao longo desta jornada com um personagem interessante, Wilson (Tahar Rahim) que finge ser brasileiro por achar que estes têm mais benefícios em termos de permanência em território francês do que os imigrantes vindos de África. Samba, esse vai alimentando um romance com Charlotte que cresce não se percebe bem como (na realidade, nenhum de nós sabe como cresce um romance, por isso isto não pode ser bem uma crítica a apontar), aliás, tudo isto começa por Alice (Charlotte) ter ignorado uma ordem fácil de seguir: não dar o número de telefone nem se relacionar pessoalmente com os clientes. O que é que ela faz estando 10 segundos a sós com Samba? Dá-lho. Continuando, Wilson acaba por se relacionar com quem? Com quem deu a ordem a Alice...

Uma confusão num rio de onde Samba sai praticamente impecável juntamente com a sua camisa branca (a sério, ele cai ao rio e aparece sem qualquer marca disso a seguir, é milagre) é o acontecimento que faz a transição para a parte final do filme onde Samba terá de escolher ficar e lutar pela vida que pode ter ou ir para um outro lugar e começar do zero.

O guião está cheio de clichés e facilitismos no mesmo (como a cena do número de telefone), a maioria deles completamente desnecessários ou apenas usados por falta de imaginação para dar seguimento ao filme.

A banda sonora? Está, tal como em Amigos Improváveis, maioritariamente a cargo de Ludovico Einaudi, o génio detrás do piano, por isso é perfeita.

O filme em si? Seria muito melhor se rondasse a hora e meia. Assim, apesar de cenas adoráveis com a Charlotte (como uma cena de dança entre ela e Tahar onde está maravilhosa), a representação amigável de Omar Sy e Tahar ser um acrescento cómico muuuuuuuito bom ao filme, ficamos com a ideia de ser demasiado longo para tantas "falhas" e más construções que acaba por apresentar. No entanto, é um retrato interessante do que vos disse logo acima, e só por isso merece uma consideração especial, não se veem muitos filmes conhecidos explorando este tema da imigração.

6/10

(Banda sonora: 10/10)

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-tqzwbjy0WQ

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