Já não é um filme recente, nem tanto um filme relevante o suficiente para merecer que eu aqui o recorde, mas às vezes o coração manda mais e há coisas que têm de ser ditas. Jupiter Ascending é o mais recente esforço dos irmãos Wachowski para tentar mostrarem que estão vivos e capazes de fazer algo relevante na vida além do Matrix. Não me percebam mal, adorei o Cloud Atlas, mas a verdade é que não foi minimamente consensual ou apreciado no geral.
Jupiter Ascending era, à partida, uma ideia que tinha tudo para correr mal. A heroína é interpretada pela reconhecida actriz de cinema de acção Mila Kunis, o herói pelo sempre talentoso e versátil Channing Tatum e o vilão pelo galardoado Stephen Hawking. Além desta escolha acertada de actores, não há um real argumento. Existe sim um misturar de coisas que dão a entender que talvez pudesse ser desenvolvido algo se o filme tivesse mais umas 10 horas, pelo menos, sem que o resultado fosse positivo de qualquer modo, naturalmente.
Todo o filme passa num piscar de olhos, ou em vários, nas cenas de acção. Quando as várias raças e monstros decidem lutar entre si, tudo o que o mais atento dos espectadores vai ver são flashes de pistolas laser e patins luminosos por todo o lado, tornando penoso tentar acompanhar o que está a acontecer se, de facto, algo acontece. Fora isto, com toda a sinceridade, acho que não aconteceu nada relevante. A história não funciona, as personagens são desinteressantes e pouco queremos saber do que lhes possa vir a acontecer, os vilões são fracos e burros e o universo criado é tão fascinante como o mundo dos Teletubbies.
Há realizadores que, por mais que tentem, vão sempre ser conhecidos como "os gajos que fizeram o filme X". Acho que não vale a pena continuar a tentar por agora, tentem antes regressar daqui a 20 anos com um filme do tipo Birdman, onde acompanhamos a história de dois realizadores que tiveram um bom filme seguido de uma carreira que ninguém quer relembrar. Já cansa ver "dos realizadores de Matrix" em tanto cartaz.
2.5/10
2.5/10

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