sexta-feira, 17 de abril de 2015

"O Metaleiro" - Episódio 1 - "Metal e Gelados"

"Metal e Gelados"


"There's got to be just more to it than this, or tell me why do we exist? I'd like to think that when I die I get a chance, another try, to return and live again, reincarnate and play the game again..." - Steve Harris - Iron Maiden

Sou metaleiro. Sim sou! E, porra, tenho orgulho nisso! Faço parte de um grupo de pessoas que, em certos meios pseudo-intelectuais sou renegado, considerado um ser inferior, com gostos inferiores que houve música que é só "barulho". Nesta pequena série, de duração desconhecida, vou escrever o que bem me apetecer - sobre o que me apetecer - e mostrar o ponto de vista de um metaleiro sobre o que quer que seja! Objectivo? Mostrar que por baixo das roupas pretas, das correntes, dos gritos e da generalizada agressividade há seres sensíveis que choram a ver o "Marley e Eu", por exemplo, bem como tipos com uma alta percepção do mundo, das injustiças e da generalizada estupidez e hipocrisia. O nosso defeito? Não temos papas na língua. A visualização do seguinte video serve de introdução ao tema inaugural: "PORRA NÃO ESTÁS A VER QUE ESTOU A COMER UM GELADO?!"


Meus amigos sendo eu um metaleiro, identifico-me com o rapaz cá em cima. E não, não tem nada a ver com o acreditar em Deus ou Jesus. Acompanhem-me: imaginem que vão a andar na boa a ouvir "Opeth" no vosso mp3 (sim eu ainda uso mp3) e a comer um belo de um gelado quando um gajo vestido de branco, com um sotaque esquisito vos enfia um microfone pela cara a dentro a perguntar se acreditam em Deus. É óbvio que naquele momento acreditam em tudo menos em Deus! Até o Diabo seria bem vindo! 

A verdade é que este rapaz é a prova viva de que todos os metaleiros são pessoas afáveis. À pergunta "está triste?!" ele imediatamente diz que não, olha para o gelado e mostra o seu crufixo invertido. À pergunta "Acredita que Jesus existe" ele, a olhar para a sua merenda responde que acredita que ele era um louco, não sem mostrar um ar de impaciência quando lhe pede para repetir a pergunta. Metaleiros são assim, pessoas que com um gesto pedem licença para acabar de comer a colherada de sundae antes de admitirem as suas crenças religiosas. Metaleiros são pessoas orgulhosas da sua família - à pergunta "Foi por causa dos seus pais (que se tornou Satânico)?" este responde com um ofendido "Não caralho!" e com um "Fodasse..." quando interrogado acerca do poder de Jesus e enquanto emborcava uma das suas colheres finais do saboroso gelado diz com simplicidade, à afirmação "Deus ama-te", um "eu não gosto dele" sincero. Metaleiros são pessoas que usam crufixos invertidos apenas para mandar "Jesus à merda".
Metaleiros são isto, pessoas apaixonadas por aquilo que acreditam. Que exibem com orgulho os seus casacos com estampados de bandas, que têm paciência para encetar uma conversa com os chatos religiosos e tentar argumentar. Que exibem com orgulho e felicidade, os seus sorrisos mais genuínos, os metal horns que o nosso querido pai do metal, Ronnie James Dio (Satanás o tenha em sua alma) introduziu na nossa cultura. Metaleiros são aqueles que tentam cravar tabaco ATÉ aos evangélicos.

Agora a sério, o metal e a religião é um tema recorrente e que de certa forma anda de mão dada. A cultura metal privilegia o pensamento crítico e livre acima de tudo e com esses pressupostos é natural haver grandes ambiguidades e crenças opostas. Conheço metaleiros cristãos praticantes bem como satânicos convictos e ambos aturam-se, respeitando as diferenças, porque ao contrário destes "pastores" nenhum de ambos quer enfiar esses ideais pela garganta abaixo do outro! Há excepções? Sim claro, mas como em tudo na vida!

A verdade é que no final, tal como num mosh-pit, apertamos todos as mãos e esticamos estas no ar com os cornos bem alto. Porque acima de tudo está a música. Símbolo da união de todas as raças, credos e pensamento livre.

PS: Quem não entendeu o registo no qual o rapaz do vídeo respondeu às perguntas mais "fanáticas" do entrevistador e o meu, assumido em parte do texto, não compreenderá de facto esta cultura. Não temos medo de dizer o que pensamos, seja em que circunstância for, seja de que forma for.

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